Caminhada, moradia e práticas estéticas com Francesco Careri

Caminhada, moradia e práticas estéticas com Francesco Careri

Terça-feira, 05/07

10h30-12h30 Prática artística e observação do território urbano
Conversa com Francesco Careri, autor de Walkscapes – O caminhar como prática estética (Ed. GGBrasil, 2015). Este livro narra uma história da percepção da paisagem através do ato de caminhar: do nomadismo primitivo às vanguardas artísticas do começo do século XX, da Internacional Letrista à Internacional Situacionista, do minimalismo à land art. Francesco Careri revisa algumas das propostas históricas que conceberam o ato de deambular não só como uma ferramenta de configuração da paisagem, mas como uma forma autônoma de arte, um instrumento estético de conhecimento e de modificação física do espaço atravessado, que se transforma em intervenção humana. Mediação: Carol Tonetti. Local: Centro de Pesquisa e Formação Sesc (CPF). R. Dr. Plínio Barreto, 285. 4º andar.
Para participar é necessário inscrever-se 1 hora antes do encontro no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Entrada gratuita limitada a lotação da sala.

15h Caminhada pelo Bixiga
Após uma pausa para o almoço, os participantes se reencontram no CPF para seguir em uma caminhada até o projeto Vila Itororó Canteiro Aberto, passando pelo bairro do Bixiga, com uma parada no icônico Teatro Oficina (projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi), e nos baixios do viaduto à sua frente, terminando no acesso à Vila Itororó, pela Rua Pedroso, número 238.

19h A moradia como cultura
Metropoliz é o nome dado à ocupação existente na Zona Leste de Roma, na qual vivem dezenas de famílias provenientes de diferentes partes do mundo. A partir da experiência de Francesco Careri neste projeto, a proposta dessa conversa é lançar um outro olhar sobre as tensões entre moradia e cultura que atravessam a história da Vila Itororó. Mediação: Fábio Zuker.
Local: Vila Itororó Canteiro Aberto, Rua Pedroso, 238 (próximo ao metrô São Joaquim)

Entrada livre

Sobre Francesco Careri (Roma, 1966) é autor de um pequeno clássico contemporâneo sobre as transformações físicas e simbólicas da cidade a partir do ato de caminhar: Walkscapes: o caminhar como prática estética (2002), que ganhou edição em português pela Gustavo Gili. Arquiteto e professor na Università degli Studi Roma Tre. Careri é também fundador do Stalker/Osservatorio Nomade, coletivo que realiza intervenções experimentais para estimular o convívio, a hospitalidade, a sociabilidade e a dimensão lúdica da vida nas cidades, tendo realizado ações como a ocupação de um prédio abandonado pela comunidade curda em Roma. É diretor do Laboratorio Arti Civiche (LAC), no qual coordena pesquisas e cursos sobre habitação popular e integração multicultural no espaço público, com foco em comunidades excluídas como a dos ciganos europeus.

A atividade no Canteiro Aberto é um complemento à programação organizada pelo Sesc em São Paulo com a Casa Azul, Escola da Cidade, Folha de S. Paulo e as editoras Companhia das Letras, GG Brasil e Planeta com os autores Francesco Careri e Benjamin Moser. Veja a programação completa no link: http://www.escoladacidade.org/encontro-com-autores-pos-flip-2016-em-sao-paulo-sesc-escoladacidade-casaazul/ . A roda de conversa com Careri foi organizada pela Vila Itororó Canteiro Aberto, que é uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo com o Instituto Pedra.

Escola da Cidade
A Flip + Sesc São Paulo, por meio do Centro de Pesquisa e Formação e a  Escola da Cidade, por meio do Projeto Contracondutas,  realizam a apresentação dos dois autores na Festa Literária em São Paulo em uma ação pioneira, que tem como objetivo se repetir em próximas edições. As duas Instituições já mantêm outras ações em conjunto, como a realização das duas últimas edições do Seminário Internacional de Projeto Urbano, um dos eventos mais significativos e celebrados na Escola da Cidade, que recebe convidados nacionais e internacionais de reconhecido prestígio e organiza conferências e debates abertos ao público, estudando com profundidade um tema contemporâneo.

Projeto Contracondutas
O Projeto Contracondutas se origina de uma atuação do sistema de justiça do trabalho dentro das ações de combate e erradicação do trabalho análogo ao escravo na construção do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 2013. Com a aprovação do Ministério Público do Trabalho, a Associação Escola da Cidade ficou encarregada de elaborar um projeto amplo e público que buscasse problematizar, difundir e transformar o conhecimento e a realidade do problema- enfrentamento nesse procedimento de justiça a partir de uma abordagem sobre a questão do trabalho análogo ao escravo na contemporaneidade.
Com duração de um ano (maio de 2016 a maio de 2017), o Projeto Contracondutas foi idealizado por uma equipe interdisciplinar de profissionais e opera como dispositivo que atravessa diversas atividades didático-pedagógicas da Escola da Cidade – tais como o Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, o programa de Estágios de Pesquisa Científica e Experimental –, ao mesmo tempo em que incorpora e provoca indagações acadêmicas, jornalísticas e artísticas, projetando-se em direção ao debate público do tema e impactos nas cidades, nas relações sociais, na ocupação do território, nos fluxos migratórios, nas políticas públicas e nas produções culturais.

Sesc
O Sesc – Serviço Social do Comércio é uma instituição de caráter privado, sem fins lucrativos e de âmbito nacional. Foi criado em 1946, por iniciativa do empresariado do comércio de bens, serviços e turismo, que o mantém e administra. Ampliando o compromisso da instituição no campo da cultura, e compreendendo a educação como uma ação permanente, o Sesc implantou em agosto de  2012 o CPF Sesc, que se constitui como um espaço  articulado entre produção de conhecimento, formação e difusão. Contribui, assim, para propiciar trânsitos e trocas entre o saber fazer da instituição, os dados, informações e pesquisas existentes, e as temáticas permanentes, transversais e emergentes envolvendo educação e cultura.

Flip 2016
Com curadoria de Paulo Werneck, a 14ª edição da Flip, realizada de 29 de Junho a 03 de Julho, homenageia a poeta Ana Cristina Cesar (1952-83), expoente da geração da Poesia Marginal, que nos anos 1970 se firmou distribuindo edições caseiras no Rio de Janeiro, ao largo do mercado editorial e sob o peso da ditadura militar, fundando uma vertente marcante na poesia brasileira contemporânea.

Vila Itororó Canteiro Aberto
Com a sua construção iniciada em 1916, a Vila Itororó é um conjunto eclético de casas de aluguel. Desde os anos 70, seu restauro coloca em disputa concepções divergentes de cidade e cultura. Nos últimos anos, a possibilidade de instalar um centro cultural no local vingou e as obras começaram. O projeto Vila Itororó Canteiro Aberto, realizado pelo Instituto Pedra em parceria com a Secretária Municipal de Cultura, adentra o canteiro de obras e propõe a sua ativação cultural e crítica. Por que fazer um centro cultural num lugar de moradia? O que entendemos por cultura? Quais são as formas de habitar o local? Qual é a relevância da Vila? Como reabilitar a recente luta dos ex-moradores? Arquitetos, artistas, ex-moradores e moradores do bairro participam do projeto, trazendo para o presente tanto o passado da Vila quanto os seus possíveis futuros. No canteiro, tudo está em construção: a história, o público, a cidade, o uso da memória e a própria noção de cultura.

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