Conversa ampliada na Clínica Pública de Psicanálise

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Conversa ampliada na Clínica Pública de Psicanálise

Sábado, 26 de novembro

A Clínica Pública de Psicanálise convida todas e todos a uma conversa aberta sobre práticas atuais e históricas da psicanálise na vida social, pública e popular com um sentido comunitário. Queremos pensar coletivamente sobre a contribuição que podemos oferecer no momento atual, que aponta para a redução dos espaços públicos, dos direitos sociais e das possibilidades de pensamento crítico sobre nosso estado de coisas sociais e subjetivas. O que podemos fazer – o que estamos fazendo e o que já foi feito – através da psicanálise, no sentido da ampliação do uso público da cidade, e como essas práticas na cidade influenciam a psicanálise?

A forma dessas conversas será semelhante ao que fazemos aos sábados nos plantões abertos. Serão três horas de conversas em roda, cada uma instigada por uma experiência, com um almoço coletivo e intervalos entre elas.

11h30 Abertura
Uma Clínica Pública de Psicanálise na Vila Itororó, por Graziela Kunsch
Café coletivo

12h Primeira conversa: Marco Fernandes
A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), escola de formação do MST e uma verdadeira universidade popular, é um lugar onde militantes do mundo inteiro se encontram para aprender e ensinar uns aos outros, numa troca de experiências e saberes, que também conta com a contribuição de intelectuais comprometidos com as lutas populares. O que a psicanálise, como prática implicada na auto-reflexão e transformação dos sujeitos, tem a contribuir aí? Há alguns anos, as psicanalistas Maria Rita Kehl e Noemi Araújo se dispuseram a atender militantes do MST que vivem e trabalham na escola e se responsabilizam pela coordenação do espaço que é, em grande parte, autogerido pelos próprios educandos. Como militante do MST e psicanalista, a partir de 2013 Marco Fernandes, que há bastante tempo se debruça sobre as formações subjetivas populares brasileiras, se dispôs a colaborar com a iniciativa. Ele percebeu que havia uma demanda no curso de maior duração que o movimento organiza, no qual militantes da América Latina passam três meses estudando e trabalhando juntos. Faltava um espaço onde pudessem elaborar a intensidade das vivências intelectuais, políticas e eróticas e mesmo questões em torno da militância. Marco passou a atender militantes do curso aos sábados e nos anos seguintes teve a companhia do psicanalista e então militante do Movimento Passe Livre Daniel Guimarães, do psicanalista Ricardo Cavalcante e, no trabalho de supervisão, do psicanalista Tales Ab’Sáber, configurando esta experiência uma das origens da Clínica Pública de Psicanálise.

13h Almoço coletivo

14h30 Segunda conversa: Margens Clínicas
O Margens Clínicas é um coletivo de psicanalistas, psiquiatras e cientistas sociais que desde 2012 trabalham clinicamente os efeitos psíquicos da violência de Estado, oferecendo atendimentos individuais ou em grupo a vítimas e familiares de vítimas de violência de Estado, principalmente a violência policial. O grupo se esforça para ampliar o conceito de clínica e de escuta, fazendo uso de metodologias coletivas de trabalho, como a cartografia social e a justiça restaurativa, buscando encontrar formas comunitárias de cuidado e resistência. Atualmente desenvolvem o trabalho Clínica do Testemunho nas Margens, da Comissão da Anistia, no qual fomentam debates e acompanham afetados – direta ou indiretamente – pela violência no período da ditadura na periferia de São Paulo, nas regiões de Heliopólis e Perus. Conduzem também o Centro de Estudos em Reparação Psíquica, em parceria com o Conselho Britânico, que tem o compromisso de fortalecer modelos clínicos alternativos e de defender a importância da efetivação de políticas públicas de saúde e assistência social reparatórias. Para o grupo é fundamental que o Estado se responsabilize pela reparação psíquica integral às vítimas. Integrantes do Margens Clínicas que estarão presentes no encontro: Anna Turriani, Gabriela Serfaty e Rafael Alves Lima.

15h30 Terceira conversa: Tales Ab’Sáber
A partir da proposta da Clínica Pública de Psicanálise, Tales Ab’Sáber irá abordar as relações entre setting psicanalítico e historicidade, clínica e crítica do dinheiro. O setting psicanalítico pode ser entendido como um dispositivo agenciador de modos de ser históricos da psicanálise e modos da psicanálise se revelar a si mesma. Cada modalidade de setting historicamente constituído abre uma nova performance clínica e teórica da psicanálise, revelando novos aspectos da vida inconsciente e negociando novas inscrições humanas e teóricas na tradição de onde o novo setting emergiu. No caso do setting da Clínica Publica de Psicanálise o lugar teórico e político do dinheiro, e do modo do mercado liberal da saúde lidar com ele, será discutido como variável de setting e como lugar e função político-teórica no próprio entendimento do que é a psicanálise. Integrantes da Clínica Pública de Psicanálise que estarão presentes no encontro, além de Tales: Anne Egídio, Carolina Binatti, Daniel Guimarães, Fabricio Brasiliense, Graziela Kunsch, Ricardo Cavalcante e Patricia Gertel Nogueira.

Horário do plantão da Clínica Pública no dia
Nesta data os horários de plantão serão excepcionalmente diferentes dos demais sábados, acontecendo somente às 9h e às 10h (serão até três atendimentos por hora, com três psicanalistas diferentes e em espaços diferentes do canteiro aberto, totalizando seis atendimentos).

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