Clínica Pública de Psicanálise

A experiência piloto de uma Clínica Pública de Psicanálise no galpão do projeto Vila Itororó Canteiro Aberto, com atendimentos individuais gratuitos, pretende ampliar, para além das práticas artísticas, a noção de cultura e o que se espera de um centro cultural. A proposição partiu da artista Graziela Kunsch, responsável pela formação de público da Vila Itororó, junto aos psicanalistas Tales Ab’Sáber e Daniel Guimarães. Trata-se de mais um experimento no canteiro de obras (que vem se somando a outros experimentos) com o intuito de abrir novas perspectivas para o futuro da Vila.

A clínica surgiu de uma reflexão acerca das transformações radicais – internas e externas – pelas quais a Vila passou ao longo da sua história, tendo sofrido diversas violências: violências do planejamento urbano com a canalização do rio Itororó e a construção da Avenida 23 de Maio; violências das políticas habitacionais com a retirada dos então moradores; violência do mercado imobiliário com a expulsão econômica das populações mais pobres que habitam o bairro. Se o projeto surgiu de um anseio de atender ex-moradoras e ex-moradores da Vila Itororó, a criação de horários de plantão visa ampliar os atendimentos a demais interessados.

O grupo da clínica hoje é formado pelos psicanalistas Camila Bassi, Dafne Melo, Daniel Guimarães, Frederico Tell Ventura e pela artista Graziela Kunsch. A supervisão do grupo é feita por Heidi Tabacof. Nos primeiros seis meses de existência da clínica, o grupo de atendimentos foi formado por Anne Egídio, Carolina Binatti, Daniel Guimarães, Fabricio Brasiliense, Patricia Gertel Nogueira, Ricardo Cavalcante e Tales Ab’Sáber, este último como supervisor. As psicanalistas e os psicanalistas trabalham no projeto por um desejo político e como parte de sua formação, recebendo uma ajuda de custo no valor de um bilhete mensal de transporte. Com a ampliação do projeto, pode-se imaginar esse experimento funcionando, num futuro próximo, em uma das casas da Vila Itororó.

Benjamin Seroussi, curador

O direito à cidade psíquica: a Clínica Pública de Psicanálise, ou a psicanálise como canteiro aberto, por Daniel Guimarães

Leia os primeiros textos em torno da clínica, datados de julho de 2016:
Psicanálise, espaço público e vida popular, por Tales Ab’Sáber
Uma clínica pública de psicanálise, por Daniel Guimarães

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Desde julho de 2016, ainda em andamento
Informe-se aqui sobre o funcionamento do plantão nas manhãs de sábado
Panfleto sobre os plantões