O Centro Cultural Vila Itororó é um espaço público e cultural da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (@smculturasp) que  contempla um conjunto remanescente de edificações construídas nos anos 1920 e que está em fase de restauro. A Vila Itororó sempre  teve como uso principal a moradia, mas foi tornada patrimônio histórico e desapropriada para fins culturais a partir de 2013. Atualmente  o espaço compreende uma estrutura formada por um galpão com diversos espaços de convivência, experimentações artísticas, ensaios e  apresentações culturais, uma marcenaria pública, um conjunto recém-restaurado onde funcionam o laboratório de arte e tecnologia da  FabLabSP, uma sala de atendimento da Secretaria da Igualdade Racial, uma cozinha pública que será aberta ao público em breve, além de outros espaços que receberão exposições de longa duração sobre a história da Vila Itororó, salas de oficinas e ateliês abertos. Fazem  parte do complexo ainda, um conjunto de apartamentos localizados na Rua Martiniano de Carvalho 267 que serão destinados a  residências artísticas e uma casa na entrada da Rua Maestro Cardim onde serão realizadas sessões de Cineclube, oficinas de dança, yoga,  técnicas circenses, dança contemporânea, dentre outras atividades. 

A Vila Itororó é um conjunto arquitetônico idealizado por Francisco de Castro, com mais de dez edificações construídas ao longo do século XX para fins residenciais e de lazer. A Vila está localizada na encosta do Vale do Itororó, na divisa entre os bairros da Liberdade e da Bela Vista, na região central da cidade de São Paulo. Ocupa uma área de cerca de 6.000 metros quadrados, no miolo de uma quadra. A Vila Itororó foi tombada como patrimônio pelo CONPRESP (órgão municipal) em 2002 e pelo CONDEPHAAT (órgão estadual) em 2005. Em 2006 foi decretada área de utilidade pública, tendo sido desapropriada pelo governo do Estado e pela prefeitura de São Paulo para fins culturais. A restauração da Vila Itororó, iniciada em 2013, é realizada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e o Instituto Pedra.

O Instituto Pedra é uma associação sem fins lucrativos que tem por missão realizar intervenções e leituras que valorizem o patrimônio cultural, gerando conhecimento com enfoque integrado, considerando as suas dimensões simbólica, material e territorial. Enquanto realiza os levantamentos arquitetônicos do conjunto da Vila Itororó (até agora inéditos), projetos complementares e a execução das obras de restauro, o Instituto Pedra abriu o canteiro de obras, com o objetivo de compartilhar o conhecimento gerado no local e de debater coletivamente os seus usos futuros.

Ao invés de realizar uma obra de restauro a portas fechadas, para depois inaugurar um centro cultural pronto definido por poucas pessoas, o projeto de restauro da Vila Itororó propôs a abertura do canteiro de obras desde o início do processo de restauro. A  instalação de um experimento de centro cultural no meio do canteiro, existiu como uma praça pública entre abril de 2015 e março de 2018.

A ideia por trás dessa decisão consiste em revelar o próprio processo da obra e imaginar os usos futuros da Vila a partir das experimentações e debates públicos que tiveram lugar principalmente no galpão anexo à Vila Itororó. Hoje, o projeto Vila Itororó Canteiro Aberto diminui o seu escopo de trabalho, restringindo-se às reflexões acerca do significado da restauração em curso e divulgação de conhecimento sobre a Vila Itororó, não mais englobando as atividades de ativação cultural do galpão. Ainda assim, tanto ao longo desses três anos, como hoje, trata-se de uma ação integrada na medida em que envolve a participação de ex-moradores da Vila, moradores do entorno, artistas, pesquisadores, arquitetos e trabalhadores da obra.

A restauração da Vila Itororó
A primeira proposta de intervenção no espaço nasceu em meados dos anos 1970, de um grupo formado pelos arquitetos Benedito Lima de Toledo, Claudio Tozzi e Décio Tozzi, junto à curadora Aracy Amaral e ao paisagista Burle Marx. A proposta jogava um novo olhar sobre esse conjunto de imóveis auto-construídos, reconhecendo assim a importância cultural deste tipo de bens que até então não costumavam ser valorizados pelos órgãos de patrimônio. A proposta de uso pretendia transformar o local num polo artístico, gastronômico e turístico. Despertou uma controvérsia acirrada entre arquitetos, moradores, movimentos sociais e órgãos de patrimônio, entre outras razões, pelo fato de não levar em conta o destino dos então moradores da Vila (ver por exemplo Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses. Conselheiro do Condephaat. Parecer. Interessado: Instituto de Arquitetos do Brasil de São Paulo. Assunto: Tombamento da Vila Itororó – Capital. São Paulo, 25 de março de 1985).

Esse debate vem se alastrando até hoje. As questões e as críticas levantadas ao longo desses quarenta anos ecoam no projeto atual: por que fazer um centro cultural num local de moradia? Como integrar a moradia ao projeto cultural? Como habitar a Vila? Como habitar a cultura? Quais os possíveis usos da Vila no futuro, que dialoguem com seu passado e com as necessidades atuais do bairro e da cidade?

As famílias que viveram nas últimas décadas na Vila, após aproximadamente sete anos de luta e resistência, foram realojadas em habitações sociais, permanecendo na região central da cidade. Neste site é possível acessar algumas das memórias de quem viveu no espaço, assim como de artistas e ativistas que também participaram desse movimento.

A Prefeitura Municipal de São Paulo optou pela utilização de recursos captados através da Lei Rouanet como forma de viabilizar a execução do projeto de restauração, estabelecendo uma parceria com o Instituto Pedra. O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura e desde então é implantado com o apoio de recursos de pessoas físicas e jurídicas. Veja aqui como apoiar.

Com o encerramento dessa fase em que a Vila Itororó Canteiro Aberto englobava as atividades de ativação cultural do galpão, o site converte-se em um amplo arquivo acerca da Vila Itororó, sua história, e das recentes atividades culturais e políticas ao seu redor.

Foto: Nelson Kon