Trabalho e Trabalho livre

still capacetes coloridos

Trabalho e Trabalho livre

O crescente lugar que o trabalho ocupa na vida é objeto de reflexões as mais diversas. Se historicamente o dia do trabalho, 1º de maio, está relacionado a um momento de luta por direitos trabalhistas, o seu sentido combativo parece ter se esvaziado na medida em que se torna um momento de celebração do próprio trabalho e do consumo. Assim, a programação da Vila Itororó Canteiro Aberto no último fim de semana de abril propõe atividades diversas e espaços de reflexão sobre o trabalho hoje, sem perder a dimensão prazerosa do estar e fazer junto. Partindo do próprio contexto da Vila, mas extrapolando-o, serão abordados temas como o trabalho invisível do artesão de restauro, as relações de trabalho em um canteiro de obras, o trabalho doméstico tornado público, a indústria da comida e suas “sobras’’, as novas formas de exploração e os conceitos de trabalho, atividade e lazer para povos ameríndios.

O trabalho é a essência do homem porra nenhuma. A atividade talvez seja, mas trabalhar, não.
Eduardo Viveiros de Castro

SEXTA-FEIRA, 29/04

11h às 16h
Ir à feira, coletar e preparar alimentos
Oficina com o coletivo Disco Xepa – Parte 1
Com Raquel Blaque, Ingrid Cuestas Sguerra, Daniela Lisboa, Cassia Cazita, Fabiana Sanches Urbal e Barbara Trugillo
Conversa sobre reutilização de alimentos, ida à feira de rua para coleta de alimentos que não foram vendidos e por isso foram descartados e higienização dos mesmos. Para participar da atividade não são necessárias inscrições, bastando chegar no horário de início.

16h
Visita ao pátio de casas da Vila Itororó*

19h
Ofícios do restauro – Parte 1
Introdução teórica
Com Maria Lucia Bressan Pinheiro, professora de História da Arquitetura na FAU-USP e Weneilson Santos do Carmo, restaurador (Concrejato Obras Especiais)
Fala sobre os elementos artísticos em voga na virada do séc. XIX para o séc. XX (época na qual foram construídos os ornamentos da Vila Itororó) e sobre a prática do restauro e os desafios envolvidos nessa prática. O objetivo é oferecer subsídios e contextualizar o público sobre um aspecto marcante da construção civil no período abordado, ainda que pouco estudado.
Curiosidade: dentre os elementos de que dispomos, os vasos são certamente produzidos em série, e cada qual se compõe de três peças distintas; em contrapartida os leões não são idênticos, o que sugere terem sido moldados in loco.


SÁBADO, 30/04

11h às 17h
Ofícios do restauro – Parte 2
Oficina prática de restauro de ornamentos da Vila Itororó
Com Weneilson Santos do Carmo, restaurador (Concrejato Obras Especiais)
Compartilhamento de práticas e saberes a respeito do restauro e técnicas de mestres de ofício. As atividades envolverão ações de lavagem, reintegração, montagem, inserções e substituição de material, etc. Nosso objetivo é oferecer capacitação técnica para um público especializado, além de dar oportunidade de contato e inclusão para interessados ainda não especializados, especialmente os residentes no entorno.
Vagas: 10
Inscrições: Enviar e-mail para oficinas@vilaitororo.org.br com um parágrafo sobre a experiência do participante na área de restauro e outro com a motivação para participação na oficina (até 800 caracteres com espaço cada). As inscrições poderão ser feitas até o dia 27/04, e a divulgação dos selecionados ocorrerá no dia 28/04.

12h, 14h e 16h
Visita ao pátio de casas da Vila Itororó*

13h às 18h
Cozinhar coletivamente
Oficina com o coletivo Disco Xepa – Parte 2
Preparação dos alimentos coletados na feira no dia anterior para mais tarde servir um banquete coletivo. Para participar da atividade não são necessárias inscrições nem ter participado do encontro anterior, bastando chegar no horário de início.

14h às 16h
Livre criação por crianças
Com Maria Elisa Arruk e André Lom Russo, projeto Piparia
Idade: 6 a 12 anos
Crianças entre 6 e 12 anos serão convidadas a construir brinquedos e esculturas, a partir de um conjunto de sucatas que os integrantes da Piparia chamam de “sucatas inteligentes”. Encontradas em galpões de coleta e reciclagem da cidade, essas sucatas não costumam fazer fazer parte do cotidiano das crianças nas escolas e nas casas e vão muito além de garrafas pet, potinhos de iogurte e caixas de papelão. São engrenagens, roldanas, tubos de plástico, peças de eletroeletrônicos, entre outros. Também são oferecidos auxiliares de fixação, como arame, barbante, parafuso, cola e fita adesiva, e ferramentas (tesoura, alicate, chave de fenda e chave phillips). Durante o fazer, as crianças interagem com os oficineiros, que apenas oferecem ajuda, auxiliando na fixação das peças, preparando furos e indicando possibilidades de encaixe. Cada um é livre para construir o que desejar. A oficina é inspirada no trabalho de Gandhy Piorski, artista plástico e pesquisador do imaginário infantil e do lúdico na cultura popular.

17h
Perspectivas sobre trabalho e lazer
Com Jean Tible, cientista político e Marina Vanzolini, antropóloga
Se a promessa que acompanhava as descobertas tecnológicas ao longo o século XX afirmavam que as máquinas liberariam o homem do trabalho, existe hoje um consenso de que nunca se trabalhou tanto na história da humanidade como hoje. Por outro lado, as concepções de atividades produtivas em diversos povos ameríndios muito pouco se assemelham ao que entendemos por trabalho no mundo ocidental capitalista, oferecendo outras perspectivas possíveis sobre lazer, festa e descanso.

18h
Banquete coletivo
Como terceira parte da oficina com o coletivo Disco Xepa será realizada uma conversa sobre indústria da comida e desperdício alimentar e será oferecido um banquete coletivo, gratuito, não apenas para participantes da oficina, mas para todas e todos que estiverem pelo canteiro.

18h30
Relações de trabalho em canteiros de obra
Exibição do filme Capacetes coloridos
Paula Constante, 2010 (38min)
Ao traçar um paralelo entre o canteiro de ampliação do campus da USP na Zona Leste e o canteiro do mutirão autogerido da Associação Paulo Freire, ligada à União dos Movimentos de Moradia de São Paulo e com a assessoria técnica USINA, o documentário traz à tona questionamentos sobre o fazer arquitetônico numa sociedade na periferia do sistema capitalista.

*Sobre as visitas ao pátio de casas da Vila Itororó
As visitas ao pátio de casas compartilham o andamento do processo de restauro e descrevem a formação da Vila Itororó, que contém um pouco da formação da própria cidade de São Paulo. O visitante tem acesso às muitas histórias que compõem a Vila: a sua concepção como uma “casa-monumento” cercada por casas de aluguel, a questão da água como elemento estruturante da Vila, o Clube Eden Liberdade e a resistência das famílias que viveram nas últimas décadas na Vila. O público é estimulado a imaginar, debater e tomar parte nas discussões sobre os usos futuros da Vila, de modo que o sentido da preservação de um patrimônio público seja apropriado coletivamente.
Duração: 1h30
Limite de público: até 30 pessoas
Ingressos: A visita é gratuita. Para participar não é necessário agendamento prévio, a não ser que se trate de um grupo formado por mais de 15 pessoas. Basta chegar ao canteiro (que tem entrada pela Rua Pedroso, 238) um pouco antes do horário de início. No caso de grupos formados por mais de 15 pessoas, usar a nossa página de contato para agendar data e horário de uma visita.
Normas de segurança: Não é possível se juntar ao grupo uma vez iniciada a visita. É preciso usar capacetes – que são oferecidos no local – e estar com calçados fechados. Fotografias: É permitido tirar fotografias durante as visitas.

Imagem do evento retirada do filme Capacetes coloridos, de Paula Constante

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